quarta-feira, 8 de março de 2023

Neste dia, mulheres que eu admiro!

 



Em maio de 1993, aos 42 anos, uma Juíza carioca, Denise Frossard, condenou toda a cúpula do jogo do bicho. A juíza havia convocado os chefes do jogo para depoimento em audiência, porém quando todos apareceram com seguranças armados, condenou o ato de ousadia com a prisão dos bicheiros. Catorze homens acusados de mandar matar, sequestrar e corromper para manter seu domínio à pena máxima de seis anos. Eram donos do Carnaval carioca, como patronos e financiadores das maiores escolas de samba, revezando-se no comando da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).

Em 2012, outra juíza, Ana Paula Vieira de Carvalho, determinou a prisão de dez pessoas. A maioria presos anteriormente. Dentre eles, Chefões de Escolas de Samba foram condenados a penas que, somadas, ultrapassam 144 anos de reclusão. Cada um recebeu uma pena de 48 anos, oito meses e 15 dias de prisão. A punição se estendeu ainda ao bolso: eles foram condenados a pagar, juntos, R$33 milhões em multas.

Moral da estória: Algum Juiz do sexo masculino teria essa coragem e ousadia?

 

 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022


 

Do Bom e do Melhor!

Vasculhando arquivos de minhas gavetas virtuais encontrei este texto da Leila Ferreira, uma jornalista mineira. Devo ter guardado porque achei o texto bom para uma reflexão imediata ou futura...



Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".

Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".


As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo... O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje?

 


Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. 

Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” 

E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? 

Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos falsos que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela.

Slavoj Žižek

 

segunda-feira, 11 de julho de 2022

De tanto ver, a gente banaliza o olhar

 

"De tanto ver, a gente banaliza o olhar", escreveu o jornalista Otto Lara Resende

 


Vê, não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

 

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê.

 

Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer.

 

Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver.

 

Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso exige muito. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos.

 

É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

 

Aprecie as pequenas coisas da vida, porque um dia você poderá, ao olhar para trás, descobrir que elas fizeram uma grande diferença."


 

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Diz uma antiga fábula...

 



Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.

Um mágico teve pena dele e o transformou em gato.

Mas aí ele ficou com medo do cão, por isso o mágico o transformou em pantera.

Foi quando ele se encheu de medo do caçador. A essas alturas o mágico desistiu.

Transformou-o em camundongo novamente e disse: Nada que eu faça por você vai ajuda-lo por que você tem a coragem de um camundongo.

"Coragem não é a ausência de medo, mas sim, a capacidade de avançar apesar do medo"

Numa vila da Grécia!

 


Numa vila da Grécia vivia um sábio famoso por saber sempre a resposta para todas as perguntas que lhe fossem feitas. Um dia, um jovem adolescente, com um amigo, disse:

- Eu acho que sei como enganar o sábio! Vou pegar um passarinho e o levarei dentro das minhas mãos até o sábio. Então perguntarei a ele se o passarinho está vivo ou morto. Se ele disser que está vivo, esmagarei o passarinho, mato-o e o deixarei cair no chão. Se ele disser que está morto, abro a mão e ele sai voando.

Assim, o jovem chegou perto do sábio e fez a pergunta:

- Sábio, o passarinho que está em minha mão está vivo ou morto?

O sábio olhou para o rapaz e disse:

- Jovem, a resposta está em suas mãos!

Assim é a vida. Independente de qualquer coisa o sucesso esteve e estará sempre em suas mãos. Você decide!