terça-feira, 20 de dezembro de 2022
Do Bom e do Melhor!
Vasculhando arquivos de minhas gavetas virtuais encontrei este texto da Leila Ferreira, uma jornalista mineira. Devo ter guardado porque achei o texto bom para uma reflexão imediata ou futura...
Estamos
obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania,
mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que
ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a
melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. O
ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos
distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o
melhor". Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão
de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece
superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que
acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa
espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do
que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou
ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão
vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí
a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor
tênis.
Não que a
gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes,
é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro
com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na
empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o
melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou
com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa
e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos
tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O
cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor
cabeleireiro"?
Tenho
pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e
nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena,
mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV
que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas
nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje?
Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”.
Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.”
E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje?
Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta
vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para
articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é
que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual
– “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. –
são termos falsos que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir
que pensemos nela.
Slavoj Žižek
segunda-feira, 11 de julho de 2022
De tanto ver, a gente banaliza o olhar
"De
tanto ver, a gente banaliza o olhar", escreveu o jornalista Otto Lara
Resende
Vê, não
vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver.
Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta
curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai
todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que
você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê.
Sei de um
profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu
escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia
e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro
cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se
vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o
porteiro teve que morrer.
Se um dia
no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que
ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.
Mas há sempre o que ver.
Gente,
coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê.
Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver
pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio
filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso exige muito. Nossos olhos se
gastam no dia a dia, opacos.
É por aí
que se instala no coração o monstro da indiferença.
Aprecie
as pequenas coisas da vida, porque um dia você poderá, ao olhar para trás,
descobrir que elas fizeram uma grande diferença."
quinta-feira, 30 de junho de 2022
Diz uma antiga fábula...
Diz uma antiga fábula que um
camundongo vivia angustiado com medo do gato.
Um mágico teve pena dele e o
transformou em gato.
Mas aí ele ficou com medo do cão, por
isso o mágico o transformou em pantera.
Foi quando ele se encheu de medo do
caçador. A essas alturas o mágico desistiu.
Transformou-o em camundongo novamente
e disse: Nada que eu faça por você vai ajuda-lo por que você tem a coragem de
um camundongo.
"Coragem não é a ausência de
medo, mas sim, a capacidade de avançar apesar do medo"
Numa vila da Grécia!
Numa vila da Grécia vivia um sábio
famoso por saber sempre a resposta para todas as perguntas que lhe fossem
feitas. Um dia, um jovem adolescente, com um amigo, disse:
- Eu acho que sei como enganar o
sábio! Vou pegar um passarinho e o levarei dentro das minhas mãos até o sábio.
Então perguntarei a ele se o passarinho está vivo ou morto. Se ele disser que
está vivo, esmagarei o passarinho, mato-o e o deixarei cair no chão. Se ele
disser que está morto, abro a mão e ele sai voando.
Assim, o jovem chegou perto do sábio
e fez a pergunta:
- Sábio, o passarinho que está em
minha mão está vivo ou morto?
O sábio olhou para o rapaz e disse:
- Jovem, a resposta está em suas
mãos!
Assim é a vida. Independente de
qualquer coisa o sucesso esteve e estará sempre em suas mãos. Você decide!
Texto muito bom para reflexão sobre os atos de vandalismo pelo vandalismo tão comuns em nosso dia a dia!
A teoria
da janela quebrada teve como suporte uma experiência feita pelo psicólogo
americano Philip Zimbardo, que consistiu em deixar um carro em um bairro de
classe alta e outro em um bairro de classe baixa da Califórnia. O carro deixado
no bairro de classe baixa foi imediatamente danificado. Já o carro deixado no
bairro de classe alta, durante a primeira semana, permaneceu intacto, não tendo
sido danificado nem deteriorado por ninguém. Contudo, após quebrarem uma janela
do carro, este passou a ser danificado e vandalizado pela população local.
Dessa
experiência, chegou-se a conclusão de que não só a pobreza é causa do aumento
da criminalidade, mas também o descaso aos atos de desordem e vandalismo.
Assim, verificou-se que as normas sociais de convívio em sociedade são
totalmente ignoradas quando as pessoas percebem que ninguém se importa com os
atos de vandalismo. Bastou quebrar uma janela do carro e as pessoas perceberem
que ninguém se importou que todos imediatamente começaram a danificar todo o
carro.
Em
síntese, a teoria da janela quebrada expressava que caso a população e as
autoridades públicas não se preocupassem com os pequenos atos de marginalidade,
como o ato de quebrar a janela de um prédio, induziria as pessoas a acreditarem
que naquele local ninguém se importa com a desordem pública, o que levaria a
prática de delitos mais graves naquele local. Os delitos de maior ofensividade
surgem em consequência da não reprimenda aos atos de desordem e aos pequenos
delitos.
Dessa
forma, a teoria da janela quebrada esclarece como devem ser combatidos os altos
índices de criminalidade em um local: passando-se a repreender e conter os
pequenos atos de criminalidade e vandalismo, além do policiamento comunitário,
que possui grande papel na prevenção de crimes.
Anos mais
tarde (e baseado nesse estudo) se implantou a operação Tolerância Zero em Nova
York, reduzindo drasticamente a violência na cidade.






